A Era do GitHub
Como o 'Social Coding' mudou a forma de trabalhar em equipe e acelerou o Open Source.
O Git (ferramenta que Linus criou) resolveu o problema técnico: como salvar versões do código sem perder a sanidade. Mas faltava resolver o problema humano: como eu acho seu código e colaboro com você?
Antes do GitHub, o Open Source era meio hostil. Você tinha que se inscrever em listas de e-mail obscuras, mandar arquivos de texto com diferenças (“patches”) e esperar que algum mantenedor mal-humorado tivesse tempo de ler.
A “Rede Social” de Código (2008)
Em 2008, o GitHub foi lançado com uma ideia simples mas revolucionária: Social Coding.
Eles pegaram o Git e colocaram uma cara bonita na web.
- Perfil: Seu código virou seu portfólio.
- Star: O “curtir” dos programadores.
- Fork: Um botão simples para copiar o projeto de qualquer pessoa e fuçar nele.
A Invenção do Pull Request
A maior contribuição cultural do GitHub foi o Pull Request (PR). Em vez de mandar um e-mail pedindo “por favor aceite meu código”, você:
- Copia o projeto (Fork).
- Faz sua melhoria.
- Aperta um botão dizendo: “Ei, puxa (pull) essa mudança para o original!”
Isso criou um espaço visual para discussão. O dono do projeto pode comentar linha por linha, pedir ajustes, tudo ali no navegador. Isso tornou a revisão de código uma conversa, não uma burocracia.
O Desfecho de Bilhões
O modelo funcionou tão bem que virou o padrão mundial. Hoje, empresas que nem usam o GitHub (usam GitLab ou Bitbucket) trabalham usando o fluxo que o GitHub popularizou.
Em 2018, a Microsoft — que antigamente chamava Open Source de “câncer” — comprou o GitHub por 7,5 bilhões de dólares. Foi a forma dela dizer ao mundo: “Nós mudamos. O futuro é código aberto, e ele vive aqui.”
Hoje, não ter um GitHub é como ser um designer sem portfólio. É lá que a mágica acontece.